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No Pain No Change


O post desta semana retrata o artigo Não Existe Mudança Que Aconteça Sem Dor, da Doutora Betania Tanure, emitido pelo Valor Econômico, em 01.09.16. A doutora, sendo uma especialista no assunto, traz uma opinião bem clara e atual das dificuldades que pessoas e organizações se deparam quando enfrentam uma mudança.




Mudança, palavra-chave! Mas como ela acontece no mundo empresarial? Pode-se dizer que de modo parecido com o que ocorre na vida das pessoas, ou mesmo na grande organização denominada país: não sem dor.

Muitas vezes, grandes mudanças são narradas de forma romântica. Exalta-se o que elas têm de belo, o gosto por elas - e que ninguém se atreva a discordar! Romantismos à parte, para falar desse processo vou utilizar a conhecida metáfora da lagarta e da borboleta, além de dois pequenos casos. Um relacionado à Olimpíada de 2016, vivido por todos nós, milhões de brasileiros e o outro a um fórum em que estive recentemente, com 150 presidentes de empresas.

Em um primeiro momento, a citada metáfora nos transmite a imagem de que a transformação é muito positiva. De uma feia e obscura larva a uma linda e brilhante borboleta. Entretanto, esse processo é bastante penoso. Primeiramente a lagarta fica cega, depois perde os membros e finalmente seu corpo racha, abrindo-se para permitir que surjam as belas asas. Podemos imaginar o medo e a dor. Na vida real também são esses os sentimentos vividos.

Dirigentes de empresas, em várias partes do mundo, adotaram a retórica da transformação corporativa. Não é diferente no Brasil. Hoje são comuns as mudanças de estratégia, estrutura, processos e cultura para que a empresa prospere ou sobreviva. Todavia, a maioria dos gestores tem o entendimento racional dessas necessidades, mas não a experiência de administrar a montanha-russa emocional trazida pelo processo.

A transformação é uma jornada que inclui o Vale da Morte. No início, nega-se a necessidade de mudar. Justifica-se o mau desempenho. O problema está sempre no outro: "Eu estou me saindo muitíssimo bem, as vendas estão ótimas. A produção é que é o problema". "Não, a produção faz o que pode, considerando-se a bagunça que é o departamento de compras”. Com o passar do tempo, as dissensões aparecem em toda a parte, as turmas se polarizam, a raiva se torna um mecanismo de defesa. Alguns até saem da empresa (ou país); outros procuram se proteger da mudança. Como se fosse possível...

É preciso compreender que as organizações têm alma! Somente com a alma cuidada poderemos enfrentar a dor da transformação. Para conduzir uma empresa durante essa jornada, seus dirigentes devem aprender a reconhecer as emoções e os sentimentos das pessoas. Ter coragem e sabedoria para lidar com a queda da confiança, da autoestima e obter o comprometimento e a mobilização de todos em torno de um objetivo comum.

Durante a Olimpíada deste ano presenciamos o resgate da autoestima de que tanto precisávamos. Show de competência com alma, nas quadras e fora delas, embora isso não signifique, definitivamente, perfeição. Vou juntar a esse exemplo um fato que presenciei no Fórum de Presidentes da ABRH. Estava presente a nata do empresariado brasileiro. Entre os palestrantes, Sérgio Moro, Henrique Meirelles e o filósofo e educador colombiano Bernardo Toro. A fala segura, simples e crível deles entusiasmou a plateia, gerando um clima muito positivo: “é difícil, mas é possível”, “o problema é nosso!”

Diante das reações da plateia e desse ambiente, não pude deixar de lembrar de uma frase que ouvi de uma amiga: "tiramos a nuvem negra das nossas cabeças". Sim, as tempestades continuarão, mas o sol já ilumina as nossas almas. Certamente temos de ficar atentos para não ir da depressão, que imobiliza, à euforia, que nos deixa complacentes.

Resgatar a autoestima, sim. Ter em posições fundamentais pessoas críveis como Moro ou Meirelles é fundamental. Mas não vamos abrir mão do papel imprescindível de cada brasileiro, de cada empresa. Juntos, com disciplina, competência e coragem, vamos reerguer nossas companhias, construir e reconstruir o Brasil. É a vez de fazermos a nossa parte! Assim é possível!

Bem, você acredita que os dirigentes que lideram as empresas possuem essa clareza de entendimento sugerida pela Betania? Se possuem, qual o motivo de não priorizarem os aspectos humanos da mudança? Dê a sua opinião. Prometemos que voltaremos com outro post apontando algumas causas!

3 comentários:

Angela Caruso disse...

Boa parte dos dirigentes não possuem essa clareza. E os que possuem, não conseguem transformar em ações o gerenciamento das mudanças, pois estamos tratando de aspectos que não são fáceis de tangibilizar. A área de Gestão de Pessoas precisa ajudar nesta jornada. Mas ainda há muito o que se fazer pra evoluirmos a esse ponto. Acreditar sempre!!!

Cláudius Jordão disse...

Aqueles que não possuem clareza sofrerá mais e as pessoas vivenciarão o processo de luto por mais tempo, pois o impacto das mudanças sempre ocorre. O fato é se será com mais dor ou com menos dor dependendo da atenção, foco e tratamento dispensados pela liderança.

Vanusa Barbosa disse...

Boa argumentação Ângela! Complementaria ainda que a as lideranças não fazem ideia que a dor existirá, mas elas poderiam ser minimizadas quando pensamos preventivamente em ações para mitigá-las.

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