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Diálogo e Relacionamento para uma boa Comunicação




Dois temas vêm ganhando destaque nas empresas, ultimamente: diálogo e relacionamento. No entanto, há sempre um abismo entre aquilo que é e aquilo que se imagina ser e, de fato, se pratica. Para ajudar nessa resposta, Gumae Carvalho da Revista Melhor Gestão de Pessoas conversou com Vânia Bueno. Vânia é jornalista com pós-graduação em comunicação empresarial e mestrado em desenvolvimento organizacional pela Case Western Reserve/EUA. É sócia-fundadora da Anima Comunicação e Desenvolvimento, empresa que durante 20 anos atuou no mercado de comunicação integrada e nos últimos sete anos presta consultoria em comunicação para o desenvolvimento organizacional.

Abaixo algumas questões debatidas. A reportagem completa pode ser encontrada na edição de abril de 2016.


Falar em comunicação, agora, é falar em uma disciplina nova?

As disciplinas não são novas, mas a forma como compreendemos e aplicamos a comunicação mudou drasticamente. Isso acontece também com outras áreas do saber. A realidade complexa nos convida a caminhar da superespecialização, foco dos métodos positivistas, para a integração de saberes. Concordo com a visão do sociólogo e antropólogo Edgar Morin que defende a superação do padrão científico que separou o conhecimento em caixinhas, como se a realidade fosse assim, porque, na verdade tudo está integrado.

O problema é que estamos acostumados a entender comunicação como sinônimo de ferramentas de comunicação. Talvez por culpa dos próprios profissionais da área ao imaginar que a função deles seja, apenas, produzir e manter veículos de comunicação?

Uma visão mais estratégica da comunicação vem mudando esse padrão, pouco a pouco, mas a formação do profissional de comunicação e as práticas do mercado apontam prioritariamente para ferramentas e mais ferramentas. Aqui se percebe também a influência do positivismo, a comunicação ficou em uma “caixinha”, compartimentada.

Como comunicadora, minha visão sobre o assunto mudou drasticamente quando conheci a teoria da nova comunicação da Escola de Palo Alto. Essa teoria surge como alternativa do entendimento matemático da comunicação que se baseia na visão linear emissor-receptor-mensagem-meio, para uma leitura mais orgânica, complexa e humana. Nasce de uma reflexão arrojada que reuniu antropólogos, sociólogos, historiadores, psiquiatras, matemáticos e linguistas, dentre outros. Sua definição é simples e ao mesmo tempo bastante impactante: comunicação é comportamento. Essa resposta me ajudou a esclarecer muitas de minhas intuições e inquietações profissionais. Me fez compreender que tudo o que você faz, ou não faz, diz ao mundo quem você é. Que, da mesma forma que não é possível “não se comunicar”. Comunicação não se limita ao momento em que você intencionalmente se manifesta. Ela é parte de toda interação humana.

O que seria comunicante?

Comunicante é todo aquele que se comunica. Todos somos comunicantes. Alguns comunicantes estudam técnicas e ferramentas de comunicação e tornam-se também comunicadores. Vale ressaltar, porém, que ótimos comunicadores podem ser péssimos comunicantes. Isto porque o universo do comunicador tem se restringido aos aspectos técnicos e operacionais, enquanto o comunicante atua no espaço das relações. Na minha carreira conheci excelentes gestores de comunicação, que criam campanhas maravilhosas, mas não sabem ouvir, se relacionam muito mal com as pessoas ou são pouco flexíveis. Isto pode não diminuir sua competência tática, mas seguramente vai influir no seu sucesso pessoal e profissional.

Por que tem de existir coerência entre o discurso e a prática?

Quando falamos entre a distância entre o discurso e a prática, tocamos o campo da ética e, pelo enfoque da comunicação, pensamos em reputação. Se a imagem é a percepção do discurso, a reputação é a constatação da atitude. Este sempre foi um tema importante e delicado, mas na era da transparência ganhou ainda mais relevância. Até a década de 90, antes do surgimento da internet, o que prevalecia era a macronarrativa, isto é, o discurso oficial, gerido e distribuído por centrais de comunicação (públicas e privadas) que, por ingerência política, social ou econômica, definiam o que deveria ser divulgado, quando e para quem. A revolução tecnológica marca a distribuição do poder de influência e permite que a micronarrativa, as mensagens e versões criadas pelos indivíduos, ganhe magnitude e supere fronteiras, cada vez menos mecanismos de controle. Isso possibilita que a versão oficial de um fato dada por uma empresa X, ou por um político Y, seja desmentida ou requalificada instantes depois. O poder de influência não é mais centralizado, permitindo que, por exemplo, um anônimo brasileiro faça cair o valor da ação de uma empresa americana na bolsa de Tóquio. Imagine o quanto isso impacta o trabalho do profissional de comunicação. Se antes era possível seguir planejamentos e metas claras, hoje navegamos no imponderável. Uma questão importante é: como comunicadores e comunicantes, fomos preparados para esta realidade? Estamos conscientes do poder e das responsabilidades a que esta nova condição nos expõe?

Que competências são mais importantes para o líder a partir dessa visão? (As competências são necessárias para vencer alguns obstáculos, mas para a realização dos sonhos as virtudes também são importantes).

No meu entendimento, o ponto de partida para uma convivência mais produtiva e apreciativa é uma boa comunicação consigo mesmo. Trilhar o caminho do autodesenvolvimento e da consciência. Como estou me sentindo fazendo o que faço? Estou seguindo os meus valores, reavaliando constantemente minhas crenças? Estou fazendo o meu melhor para mim e para os demais? Muito de nossas insatisfações e fraquezas está diretamente relacionado e à forma como gerimos nosso próprio potencial e ao sentido que damos ao que fazemos. Liderar pelo exemplo, o atributo mais desejado segundo a pesquisa que citamos, é resultado da coerência, da verdade e da integridade interna. São essas virtudes, mais do que competências técnicas, que garantem a credibilidade e a confiança de que o líder precisa para envolver suas equipes e parceiros. Claro que competências são essenciais para a execução de tarefas e metas, mas estas já são super demandadas pelas organizações, o que tem nos levado a investir tanto no “como fazemos”, deixando de dar atenção devida ao “quem somos”.
Como defensora da cultura do “e”, acredito no caminho do meio, na busca do equilíbrio que contempla o individual e o coletivo, o lucro e a responsabilidade, o racional e o intangível. Estou segura de que na medida em que o líder se transforma em uma pessoa mais aberta, confiável e justa, maior será o seu poder de influência.

Sobre resultados: hoje, no mundo corporativo, tudo tem de ser mensurável, é preciso calcular o retorno do investimento. Com a comunicação também?

Esse é um ponto muito discutido. Os mecanismos de mensuração de retorno sobre os investimentos em comunicação evoluíram muito nos últimos anos. Contamos com um bom conjunto de indicadores sobre o tema, e isso é muito positivo. Hoje é possível medir o impacto de uma campanha nas vendas de um produto ou sua preferência frente à concorrência. Porém, alguns aspectos da comunicação são muito subjetivos. Como mensurar percepção? Como avaliar impactos emocionais, afetivos, relacionais? A corrente que questiona o padrão de gestão americano, baseado na mensuração permanente, ganhou espaço ao provar a consideração do valor intangível. O mundo corporativo se abriu para essa proposta, mas a preponderância da visão numérica e financeira segue cobrando dos profissionais de comunicação uma resposta conceitualmente conflituosa: tangibilizar o intangível.

Diante dessa degustação trazida da entrevista da Vânia, podemos imaginar a comunicação como sendo algo que podemos medir para cálculo do retorno sobre o investimento? E as competências necessárias para um bom comunicante? O que você pensa?


*Conteúdo elaborado por Jorge Bassalo. 
Matéria extraída da Revista Melhor - Gestão de Pessoas. 
Clique aqui e tenha acesso à entrevista completa. 



4 comentários:

Anônimo disse...

Excente entrevista!!
Logo me veio a cabeça o significado de vasos comunicantes = "Equilíbrio de dois líquidos miscíveis e imiscíveis em dois vasos comunicantes"para mim uma das competências necessárias a um bom comunicante: saber a dose certa do que comunicar.

Cláudius Jordão disse...

Muito boa visão. Aspectos humanos em gestão de mudanças é um tema importante, porém abordá-lo especificamente para o pilar comunicação foi muito inteligente. Comunicação é a que chega, não a que sai. Parabéns!

Jorge Bassalo disse...

Sem dúvida que a Vânia Bueno é uma especialista no assunto e trata o tema de uma forma bem direta.

Vanusa Barbosa disse...

Bassalo, um excelente texto da Vânia Bueno! Tentando responder as suas perguntas, a primeira é bastante desafiadora, pois estamos tratando de comportamentos e entramos no campo da subjetividade, mas podemos minimizá-la no campo da "observação". Nesse item pode-se criar indicadores de comportamentos observáveis esperados e tentar medir a eficácia da comunicação na observação desses comportamentos, onde vamos perceber se ela está sendo efetiva. É uma ideia!
Sobre a segunda pergunta, em competência necessária para um comunicante, prefiro abordar que se tratando de competência precisamos pensar como ela se compõe eficazmente. Para eu desenvolver uma competência eu preciso ter o saber técnico (conhecimento/ferramentas), saber colocá-las em prática (habilidade) e o principal de todas, ter a "atitude". Um bom comunicante precisa ter atitude, querer fazer, acreditar no que está comunicando e estabelecer relação com quem se quer comunicar algo. O comportamento será refletido na comunicação e será percebido pelos outros. Não pode haver incoerência de atitudes no que se diz e no que se faz.
Espero ter contribuído!
Abraços...

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